A Google confirmou, enfim, a expectativa de
que lançaria um sistema móvel de pagamentos em
um evento na quinta-feira (26/5), divulgando
detalhes do novo Google Wallet. A ideia de
pagar contas com uma rápida passada de
smartphone é tentadora; por outro lado, ela
também sugere que usar o celular como carteira
wireless é um convite a ter seus dados de
cartão de crédito comprometidos.
A Google fechou uma parceria com
o Citibank para incluir suporte nativo para os
cartões de crédito Citicard. Mas a Google foi
esperta o bastante para não jogar o Google
Wallet no mercado com apenas um cartão. Não
por acaso o Google Wallet também inclui uma
opção de pagamento Google que pode ser
pré-carregado com créditos transferidos de
qualquer cartão de crédito.
Assim, você vai colocar todos os seus dados de
cartão de crédito no Google Wallet, de uma
forma ou de outra, e pronto. Deixe sua
carteira em casa. Afinal, estamos em 2011 e
agora você pode apenas fazer compras com um
toque em seu smartphone.
Ok, talvez você ainda deva carregar sua
carteira – por enquanto. O Google Wallet está
sendo lançado apenas em duas cidades (Nova
York e São Francisco) e funciona apenas: 1) se
sua operadora for a Sprint, 2) você tiver a
sorte de ter um smartphone Android equipado
com NFC e 3) comprar em uma das poucas lojas
equipadas com a tecnologia. Com tantas
condições, você ainda vai precisar do velho
cartão de crédito para a maioria de suas
compras.
Mas isso é hoje – ou este ano, quando o Google
Wallet for realmente lançado. É praticamente
inevitável que o conceito de pagamentos móveis
usando um smartphone ganhará tração e se
tornará o meio preferencial de transações em
dinheiro. Quando isso ocorrer, contudo, será
que você vai se preocupar com as implicações
de segurança de ter seus dados de cartão de
crédito disponíveis em seu smartphone? Com
todos os vazamentos de dados dos últimos
tempos, será loucura confiar na Google suas
informações financeiras?
Foco na segurança
Para Oliver Lavery, diretor de pesquisa e
desenvolvimento em segurança da nCircle, a
resposta é não. “Eu não acho loucura confiar
dados de cartão de crédito aos celulares
Google. Apesar dos grandes vazamentos de dados
ocorridos recentemente, como os da Sony e da
Epsilon, esses casos foram brechas em sistemas
nos quais a segurança não tinha importância
central. Eu penso que podemos ser
razoavelmente confiantes no projeto de
segurança de um sistema projetado para
gerenciar transações financeiras.”
Fred Touchette, analista sênior de segurança
da AppRiver, concorda. “É verdade que tem
havido várias quebras de segurança
ultimamente, mas a verdade é que a maioria das
pessoas que compraram ou compram em lojas
online tem seus dados armazenados em algum
lugar na nuvem, o que já faz delas alvos em
potencial.”
De fato, a Google tem mostrado atitude em
relação a segurança e mostrado que está no
controle da proteção de dados do usuário. A
informação de cartão de crédito é
criptografada e armazenada em um chip à prova
de violação e que é separado do núcleo do
sistema Android, e acessível apenas a
programas autorizados.
A Google espera que os usuários usem a
segurança via PIN para travar o próprio
smartphone. Mas, além desse, o Google Wallet
terá um PIN separado.
Uma pessoa da Google explicou que o sistema
pode exigir um terceiro PIN na hora da
transação real. Mesmo que seu smartphone
Android seja perdido ou roubado, um ladrão não
poderia realizar transações não autorizadas.
Terminais clonados
E sobre o risco de um criminoso usar algum
tipo de terminal NFC falso ou clonado para
tentar capturar seus dados a distância, a
pessoa da Google reforçou que, com todas essas
exigências de PIN, um terminal NFC falso não
seria capaz de completar uma transação - e
acrescentou que o smartphone tem de estar tão
perto do terminal para começar a transação que
seria virtualmente impossível ser vítima de
hacking sem notar algo tão próximo. Essa
pessoa explicou ainda que um criminoso teria
bem menos trabalho furtando sua carteira real.
Lavery destaca que será preciso uma pequena
mudança cultural nos usuários para que eles
associem o fato de que um smartphone sem
travas libera o acesso a uma diversidade de
situações sigilosas. “Muitas pessoas não
definem PINs para seus smartphones, apesar da
facilidade com que esse aparelho pode ser
roubado ou perdido.”
Touchette adverte, porém, que os pagamentos
móveis são um jogo novo e que a Google é um
grande alvo que naturalmente atrai atenção.
"Nunca subestime a criatividade inovadora dos
hackers – especialmente quando há dinheiro
envolvido." Touchette recomenda que os
usuários separem um cartão de crédito com
limite mais baixo para uso em pagamentos
móveis, como forma de reduzir a exposição a
uma potencial ação criminosa.
A conclusão é que os sistemas de pagamento
móvel em geral, e o Google Wallet em
particular, não são mais inseguros que
qualquer outra transação que você faria usando
seu cartão de crédito. Os dados são lidos,
processados, transmitidos e armazenados, de
uma forma ou de outra. Com as precauções que a
Google tomou, não há necessidade de segurança
adicional, mas os usuários devem sempre estar
vigilantes em relação a proteger suas
informações pessoais e seus dados de cartão de
crédito.