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Serviços de ensino online buscam evolução para manter interesse do aluno




É difícil pensar algo que não se pode aprender na internet. Quer tocar um instrumento? Técnicas avançadas de crochê? Noções de programação? É possível encontrar aulas em serviços como Udemy, eduK e Coursera, respectivamente. No entanto, apesar da alta oferta de cursos, os serviços de educação online ainda falham em encontrar uma forma capaz de fisgar a multidão de alunos, sem perdê-los para outras distrações da rede.

 

A maior parte desses serviços é conhecida como MOOCs – sigla em inglês para “cursos online, abertos e massivos”. Tratam-se de aulas em vídeo, acompanhadas de um fórum de discussão entre alunos e de listas de exercícios, corrigidos pelos próprios estudantes. “Ao dispensar a figura de um tutor, o MOOC consegue escapar de um problema que teria se adotasse o modelo da educação formal: o custo de contratar, e conseguir, professores capacitados para orientar, gratuitamente, milhares de alunos. Sem a figura de um tutor presente, é mais fácil ganhar escala”, diz o professor Romero Tori, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). 

 

Para os professores, o MOOC também é interessante: com apenas um curso, é possível levar suas ideias para milhares de alunos em todo o mundo. Para o aluno, a possibilidade de retomar uma aula anterior é uma grande vantagem com relação à educação presencial. 

 

 

 

No entanto, nem sempre essa receita dá certo. “Tem alunos que precisam de um professor pegando no pé deles para prender”, comenta Alex Primo, professor de comunicação digital da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 

 

Aula filmada. Uma das principais críticas aos MOOCs é o uso restrito do potencial da ferramenta. “Esses serviços levaram algo do mundo offline para o online, sem grande adaptação. O estudante se engaja pouco”, diz Luis von Ahn, criador do aplicativo de idiomas Duolingo. Por isso, muitos alunos acabam desistindo dos cursos.

 

Essa é uma preocupação corrente entre as empresas que atuam no setor e cada uma das escolas mede sua taxa de evasão de forma diferente: o Coursera, por exemplo, não considera como desistentes alunos que se inscreveram em cursos e largaram na primeira aula. “São usuários que estão testando até achar algo que vale a pena”, diz Rick Levin, presidente executivo da startup. A empresa tenta se modernizar: nos cursos de programação, o aluno pode escrever código na mesma janela do vídeo da aula.

 

Papel e caneta? A forma de acesso é outro desafio. Segundo a pesquisa TIC Domicílios, divulgada pelo NIC.br em setembro de 2016, 89% dos brasileiros conectados acessam a rede via smartphones – o computador, por sua vez, é usado por 65% dos internautas do País. Há certas aulas que não funcionam em um smartphone – digitar o código de um programa inteiro no celular, por exemplo, pode ser uma tarefa hercúlea.

 

“Estudar matemática no ônibus é difícil, mas ouvir uma aula sobre Segunda Guerra Mundial no metrô pode ser prazeroso”, comenta Rafael Cunha, diretor executivo do Descomplica, startup brasileira que treina alunos para o Enem. Para ele, o aluno não precisa anotar, pois sabe onde recuperar as aulas depois.

 

O formato de aulas longas é outro ponto que deve ser melhorado. A brasileira eduK percebeu isso recentemente: ela sempre ofereceu aulas de cerca 40 minutos sobre temas como artesanato e beleza. “As pessoas querem aproveitar cada minuto”, diz Danilo Bardusco, diretor de produto e desenvolvimento da eduK. “Vamos reeditar nossos cursos populares para vídeos mais curtos.”

 

Há quem aproveite celulares de forma mais interativa: além do Duolingo, o App Prova também apostou num modelo que usa o popular quiz para fazer os alunos estudarem para o Enem e Enade. “Queremos que o aluno aproveite o tempo do ônibus para estudar de um jeito divertido, em vez de estar no joguinho ou na rede social”, diz Matheus Goyas, presidente executivo da startup mineira.